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  • Marãna Ventura e Gabriel Simões

Você sabia que no Brasil tem terremotos?


Muitas são as notícias sobre terremotos ao redor do mundo, desde pequenos tremores quase imperceptíveis até grandes abalos causadores de desastres. Os terremotos acontecem todos os dias em diferentes locais do planeta, mas por que não ouvimos sobre eles no Brasil? E por que notícias de grandes abalos são mais comuns em países como o Japão?

No texto a seguir, vamos abordar essas e outras temáticas para esclarecer o que são os terremotos, como e onde eles ocorrem:


O que é um Terremoto?


Terremotos ou abalos sísmicos são fenômenos geológicos de vibração na superfície terrestre que ocorrem, em sua maioria, pela movimentação das placas tectônicas, podendo também serem resultantes de atividade vulcânica ou movimentação de gases no interior da Terra. O tremor é causado pela grande liberação de energia em forma de ondas sísmicas e pode ter duração de segundos ou minutos.

As placas tectônicas movimentam-se lentamente mas com muita energia, sendo que nas bordas das placas ocorrem movimentos convergentes (choque entre placas tectônicas), divergentes (movimento das placas em direções contrárias) ou transcorrentes (movimento lateral entre placas) que levam ao acúmulo de energia exatamente no contato tectônico. Em dado instante, essa energia é tão grande que supera a resistência das rochas e é liberada, nesse momento ocorre o abalo sísmico. Logo, lugares localizados nos limites entre placas tectônicas são mais propensos a sofrerem com terremotos.

Figura 01: Limites entre as placas tectônicas no planeta. (Atlas geográfico escolar, 3. ed. Rio de Janeiro: IBGE, 2006)


A região no interior da crosta onde inicia a ruptura e a liberação de ondas sísmicas é denominada hipocentro ou foco. O ponto imediatamente acima do hipocentro, em contato com a superfície terrestre, é chamado de epicentro. Normalmente a área mais afetada está ao redor do epicentro, podendo ocorrer deslizamentos de terra, tsunamis e danos físicos, sociais e econômicos.


Figura 02: Esquema da dinâmica de um terremoto (Modificada de IAG USP).


Medimos a intensidade dos abalos sísmicos pela escala richter, baseada em registros sismográficos para classificar os sismos em uma escala logarítmica em que a cada dois graus de aumento na escala, a energia liberada pelo sismo é multiplicada por cerca de 1000 vezes (um terremoto grau 5 é aproximadamente 1000 vezes mais energético).

Há também a Escala Mercalli, esta não avalia os registros sismográficos mas sim os danos causados nas estruturas e percebido pelas pessoas. Para um mesmo sismo, localidades podem apresentar valores diferentes na escala Mercalli. Um terremoto de magnitude 9 na escala Richter que ocorreu em na Antártica teria magnitude 1 na escala Mercalli, por exemplo.


Terremotos no Brasil


Apesar de mais propensos, os terremotos não ocorrem somente nos limites entre placas. Regiões intraplaca, mais estáveis tecnicamente, ainda possuem atividade sísmica.

O território brasileiro está localizado no centro da placa sul-americana e, com raras exceções, os tremores não passam os 3.0 graus de magnitude na escala Richter, sendo muitas vezes nem sequer registrados. Suas ocorrências estão relacionadas a falhas geológicas que se concentram nas regiões Sudeste e Nordeste, seguidas pelas regiões Norte e Centro-Oeste. Normalmente o epicentro está distante e sentimos apenas as ondas sísmicas que chegam com menor intensidade.

O maior tremor registrado no país teve 6,2 graus na escala Richter e ocorreu em 1955 nas proximidades de Cuiabá - MT. Em 1980 houve outro sismo, desta vez no nordeste, de magnitude 5,2 provocando alguns desabamentos de casas na região. Em 1994, a cidade de Porto Alegre - RS foi atingida por um sismo com epicentro na Bolívia, a 2.200 km de distância e com magnitude 7,8 na escala Richter enquanto que em Porto Alegre sua intensidade foi 4 na escala de Mercalli, fazendo sacudir lustres e objetos suspensos e vibrar móveis em andares mais altos nos edifícios.

No Brasil há apenas uma vítima de terremoto, uma menina de 5 anos que teve sua casa destruída por um terremoto de magnitude 4,9 na escala richter que atingiu o vilarejo de Caraíbas - MG.

De acordo com o serviço geológico do Brasil, em nosso país ocorrem cerca de 20 sismos maiores que 3,0 e apenas 2 sismos maiores que 4,0 anualmente. Estima-se que terremotos de magnitude 7,0 ocorram 1 vez a cada 500 anos no Brasil, sendo que no Chile (localizado mais perto do limite da placa) isso ocorre a cada 3 anos.


Terremotos pelo Mundo


A maior parte dos terremotos significativos detectados no mundo estão localizados numa região denominada Círculo de Fogo do Pacífico, caracterizando-se por um arco de instabilidade geológica que circula o Oceano Pacifico, próximo ao contato deste com os continentes – formado pelo encontro de placas tectônicas adjacentes com a Placa do Pacífico, principalmente.

Além de terremotos, a condição sísmica ativa do Arco de Fogo configura grande ocorrência de vulcões e tsunamis, sendo estes últimos nada mais do que um tremor cujo epicentro ocorreu no oceano, ocasionando em grandes ondas no continente.


Figura 03: Esquema do Círculo de Fogo do Pacífico sinalizado em vermelho (Modificado de G1).


Segundo a USGS, cerca de 100 tremores com magnitude menor que 2.5 ocorrem diariamente pelo mundo, enquanto aproximadamente 15 desses são registrados no Brasil. Entretanto, cabe ressaltar que a quantidade de sismos detectada depende de diversos fatores, como a rede sismográfica da região, a magnitude dos tremores (quanto mais fraco melhor precisa ser a sensibilidade do instrumento para captar) e a localidade onde ocorrem. Por exemplo, abalos sísmicos de baixa magnitude no meio dos oceanos não são tão facilmente detectados como abalos de alta magnitude em grandes centros urbanos.

Pensando nos maiores terremotos já registrados na atualidade, esses podem ser divididos em duas categorias, os de maior magnitude e os que mais causaram danos, como mostra a tabela a seguir.


Caso tenha curiosidade, é possível acompanhar ao vivo as atualizações dos abalos sísmicos por sites como o do Observatório Sismológico da UnB e do Serviço Geológico dos EUA (USGS).


Em suma, os terremotos são fenômenos imprevisíveis associados à estruturação interna da Terra, sendo a magnitude de seus danos associada ao local onde ocorrem e ao preparo da civilização ali presente. Gostaria de ler mais sobre assuntos da geologia?.....


Referências Bibliográficas:


Apolo 11. Disponível em: https://www.apolo11.com/


Universidade de São Paulo. Centro de Sismologia. Disponível em: https://moho.iag.usp.br/eq/


Universidade de Brasília. Observatório Sismológico. Disponível em: http://obsis.unb.br/portalsis/


USGS - Serviço Geológico dos Estado Unidos. Disponível em: https://earthquake.usgs.gov/



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