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  • Foto do escritorPedro Noleto

Geoarqueologia

Arqueologia e sua interdisciplinaridade

Apesar da arqueologia ser intimamente ligada às ciências sociais, por se tratar de populações humanas, também é muito próxima das ciências da terra, em especial da Geologia. Para a criação e organização do conhecimento Arqueológico, são necessários conceitos e raciocínios fortemente ligados à Geologia, como por exemplo o princípio da superposição de camadas de Steno, segundo o qual dada uma sucessão de camadas geológicas, a que está embaixo é sempre mais antiga do que a que está em cima. A presença de fósseis, juntamente ao princípio anterior, ajudam a entender contextos paleoambientais por meio de marcadores bioestratigráficos, e contextos culturais de povos que moravam em determinada região. Como? Caso sejam encontrados materiais (fósseis, rochas, etc) longe de seu local de origem, alguém deve ter carregado essa matéria prima. É claro que outros eventos também podem levar material para longe de sua área de origem, entretanto contextos humanos apresentam características distintas, tanto de manejo desses objetos quanto em relação a organização deles em relação ao espaço.


Material Lítico

Entre todos os materiais utilizados como matéria prima pelo ser humano na antiguidade para a confecção de artefatos, o grupo de rochas mais presentes, em geral é o das rochas silicosas. Para povos antigos a busca por rochas coesas e que quando fragmentadas formarem lascas afiadas, era de extrema importância, pois rochas com essas características são facilmente utilizadas como lâminas, raspadores, pontas de flechas/lanças entre outros utensílios. A sílica (SiO2) gera rochas com essas características, como a calcedônia, opala, e o próprio quartzo. Algumas rochas vulcânicas (basaltos/vidro vulcânico) também são muito coesas e formam lascas bem afiadas, o que pode relacionar alguns contextos vulcânicos com sítios arqueológicos. A sílica forma minerais com dureza relativamente alta, próximas de 7 na Escala de Mohs, por meio de processos sedimentares, ígneos, metamórficos e químicos (silexito). Objetos de rochas, aparentemente, tinham valor identitário muito ligado à região onde esses povos viviam, podendo ser relacionado com o sagrado ou não. No Brasil, são encontrados em boa parte do território esculturas de rocha com formato de animais, denominadas zoólitos. Rochas coloridas, como o Jaspe e a Jadeíta (e muitas outras) foram utilizadas para a criação de adornos, podendo ou não ter formato de animais.


Figura 1: Pingentes do sítio Pearls em Granada.

Muiraquitã em nefrita.



Figura 2: Zoólito em forma de tubarão encontrado no litoral sul do Rio Grande do Sul.


Contextos Geoarqueológicos

A Geologia analisa contextos em escalas muito maiores do que a Arqueologia, que por sua vez está mais presente em escala de afloramento ou de movimentações regionais que povos antigos podem ter feito. Ambientes Cársticos, são conhecidos pela grande presença de cavernas e grutas, formadas a partir da dissolução do carbonato de cálcio (CaCO3) que é o principal constituinte das rochas desses ambientes. Por conta da presença dessas cavernas, esses ambientes foram utilizados como abrigos, sepultamentos, locais de festa, entre outros, além de serem encontradas pinturas rupestres em lugares com essas características por todo o mundo. Na América Latina (principalmente, mas não restrito, na Amazônia), sítios arqueológicos são encontrados em estruturas antrópicas chamadas sambaquis. Um sambaqui é um monte de conchas antrópico, permitindo a ocupação de áreas que fiquem momentaneamente alagadas.


Figura 3: Pinturas rupestre da serra da capivara Piauí.


Figura 4: Pinturas na caverna Chauvet na França.

“The cave of forgotten dreams”.


Referências Bibliográficas


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FREITAS, Sabrina Escobar. Arqueologia da região do município de Rio Grande, litoral sul do Rio Grande do Sul, Brasil: perspectivas e considerações sobre o estudo dos pescadores-caçadores-coletores e horticultores. Porto Alegre: PUCRS. (Dissertação de mestrado), 2005.


RIBEIRO, Pedro A. Mentz et alli. A Ocorrência de Zoólitos no Litoral Centro e Sul do Rio Grande do Sul, Brasil. Rio Grande: FURG, 2002.


GARCIA, J. B., & Bandeira, D. da R. (2018). Artefatos zoomorfos sambaquieiros do estado de Santa Catarina: considerações acerca do tema. Revista Do Museu De Arqueologia E Etnologia, (30), 12-41. https://doi.org/10.11606/issn.2448-1750.revmae.2018.144394




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